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Parcela
de areia finalizada. As pegadas deixadas pela mastofauna nas parcelas
são colhidas em moldes
de gesso e identificadas através de guia de
identificação de mamíferos silvestres .
Caracterização da
Avifauna
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A metodologia empregada para avifauna foi a observação direta
dos espécimes existentes no ambiente, realizada em pontos fixos,
nos quais os observadores permanecem no local por 30 minutos
registrando a vocalização das aves e identificando as espécies.
Foi registrada a ocorrência de 36 espécies de aves durante a
amostragem e 19 espécies em encontros casuais, totalizando 55
espécies. Por ser uma época do ano em que começa a diminuição da
ocorrência de animais, este número é extremamente expressivo em
termos qualitativos. |
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Seriema - Cariama cristata |
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Nos meses de maio, junho e julho a equipe percorreu
os 5
fragmentos de Mata Atlântica, sendo que quatro fragmentos estão
localizados no distrito de Rubião Júnior (mata do Morro de Santo
Antônio, mata do Éden, mata do residencial Terras Altas e do Residencial
Parque das Cascatas) e um fragmento na área urbana de Botucatu (mata do
bairro Recanto Azul.
Por ser a maior área de fragmento de
mata dentre as cinco área de estudo, a mata do Morro de Santo Antônio
vem mostrando uma grande diversidade de espécimes. Algumas
características da mata têm contribuído para que esta diversidade seja
evidente, tal como a presença de pequenas cachoeiras ao longo do
fragmento. É uma área bastante difícil de locomover, principalmente pelo
seu tamanho e relevo acidentado.
Para o levantamento de mastofauna, foram instaladas 12 parcelas de
areia, divididas em 4 conjuntos, cada qual composto por 3 parcelas
distribuídas em forma de triangulo: um conjunto próximo à pastagem,
outro próximo à cachoeira e dois no interior da mata.
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Mata do Morro de Santo Antônio, onde está situada a igreja de
Santo Antônio, mostrando a trilha percorrida pela equipe
(amarelo) e as parcelas instaladas no interior da mata
(quadrados).
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Esta área vem sofrendo com a visita de pessoas que acabam por
destruir as parcelas e os sacos de areia que são deixados pela
equipe no inicio da trilha e deixam grande quantidade de lixo na
entrada da mata. Já foram refeitas 2 parcelas, mas as mesmas
foram destruídas novamente.
Uma placa informativa foi instalada ao longo da trilha
informando que naquele local está sendo realizada uma pesquisa
com mamíferos. |
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A mata do
Éden é estreita,
pequena e localizada bem próxima à Rodovia Domingos Sartori. Outra
característica importante deste fragmento é a grande quantidade de
nascentes na borda da mata. O
levantamento é realizado através do registro de pegadas de mamíferos
silvestres nas quatro parcelas de areia instaladas nesse
fragmento identificadas no mapa com um quadrado |
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O terceiro fragmento de mata estacional semidecidual
margeia um represamento do Córrego da Cascata localizado no
Residencial Parque das Cascatas. Antes do represamento existe uma cachoeira
com uma queda de aproximadamente 5 metros. O relevo deste
fragmento é bastante irregular o que dificulta a instalação das
parcelas.
Mesmo sendo uma área maior que a mata do Éden, apenas 5 parcelas
de areia foram instaladas |
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Esta mata também se encontra no interior de condomínio, o
Residencial Terras Altas e é formada por um pequeno fragmento de
floresta estacional semidecidual que possui uma das nascentes do
Córrego da Cascata que não está catalogada na carta base do
projeto. Por ser um fragmento muito pequeno e o condomínio ser
totalmente cercado por muro, fator que desfavorece o livre
transito dos animais, foram instaladas apenas 2 parcelas de
areia no interior da mata.
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A mata do Recanto Azul é a segunda maior em tamanho e também é
formada por uma mata estacional semidecidual. A proximidade
deste fragmento com a Rodovia Marechal Rondon, dificulta a
observação dos animais no interior da mata devido ao barulho
contínuo de veículos. A instalação das parcelas foi realizada no
mês de julho, período em que foi detectada uma grande
quantidade de lixo espalhado na entrada da mata. |
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Para identificar os animais são medidos os seguintes parâmetros das
pegadas: Comprimento total (CT) e Largura total (LT). Nos carnívoros,
que envolvem principalmente os felinos e caninos foram também
registrados o Comprimento e a Largura da almofada (CA e LA). Para a
identificação das pegadas nas parcelas utilizamos vários guias: Rastros
de animais silvestres brasileiros: um guia de campo, Becker, M &
Dalponte, J.C. 1991; Guia de campo dos felinos do Brasil, Oliveira, G.T.
& Cassaro, K., 2005, site :www.procarnivoros.org.br.
Para o levantamento de aves foi utilizada a mesma trilha aberta para a
mastofauna. O levantamento é realizado em pontos fixos de escuta na qual
a equipe permanece 15 minutos nos pontos pré determinados e
obrigatoriamente distantes 150 metros um do outro.
Outra técnica de levantamento é por transectos, no qual a equipe se
desloca ao longo de uma trilha pré estabelecida e registra as
vocalizações. Neste tipo de levantamento, a qualificação da equipe é
extremamente importante para identificar as aves através da vocalização,
utilizando uma gravação do canto ou não; visualização direta com o
auxilio ou não de binóculos e quando possível, o registro fotográfico
das espécies.
Esta metodologia de levantamento por transectos tem o objetivo de se
conhecer a riqueza da comunidade de aves em determinado local. (Métodos
de estudo em Biologia da Conservação Manejo da Vida Silvestre, Cullen,
J.L, Rudran, R., Valladares-Padua, C.; Aves Brasileiras e plantas que as
atraem, Frisch J.D., Frisch, C.D.; Aves do Campo, Hofling, E. Camargo,
H.F.A.).
Para se registrar maior diversidade das espécies na bacia do Córrego da
Cascata, os levantamentos serão realizados nas quatro estações do ano,
levando em consideração que durante a temporada reprodutiva, as aves
estão muito mais ativas, vocalizando com maior freqüência, tornando
muito mais eficiente a identificação das espécies.
Caracterização da mastofauna
Até
o mês de outubro de 2011 o levantamento de mastofauna realizado na bacia
do Córrego da Cascata registrou nove espécies de mamíferos de pequeno e
médio porte: Dasypus novemcinctus (tatu galinha), Didelphis sp.
(gambá), Mazama sp (veado), Hydrochoerus hydrochaeris
(capivara), Myrmecophaga tridactyla (Tamanduá bandeira),
Guerlinguetus ingrami (esquilo), Tamandua tetradactyla (Tamanduá-mirim
ou tamanduá-de-colete), Sphigurus villosus (Ouriço) e um pequeno
felídeo.
A
metodologia utilizada para o levantamento foi o método indireto, através
das pegadas dos mamíferos deixados sobre as parcelas de areia. Estas
pegadas, quando em bom estado são medidas com o paquímetro e comparadas
com o Guia de Rastros de Animais Silvestres Brasileiros (Guia de campo –
Becker e Dalponte).
Os
encontros ocasionais também são registrados. Neste caso a equipe em
incursão nos fragmentos visualiza o animal e este registro também é
utilizado na estatística do levantamento. Como a maioria destes animais
tem hábitos noturnos, a visualização torna-se mais difícil.
Neste trimestre a equipe realizou 22 incursões de 4 horas a campo num
total de 88 horas de esforço amostral e registrou sete mamíferos na
microbacia do Córrego da Cascata: o tatu galinha, gambá, veado,
capivara, tamanduá bandeira, esquilo e um pequeno felídeo.
Em
cada fragmento, as coletas foram realizadas em 3 dias consecutivos,
sendo que no primeiro dia a equipe realizava a manutenção das parcelas
através da movimentação da areia, deixando-as bem lisas, rega das
parcelas com água e colocação das iscas.
Nos
dias subsequentes a equipe retornava às parcelas e realizava a
identificação e registro das pegadas deixadas pelos animais.
O
número de espécies encontradas até o presente momento não é muito grande
e vem se repetindo nos levantamentos e com certeza não representa a real
diversidade da mastofauna existente no Córrego da Cascata.
Como exemplo, podemos citar a quantidade de gambás e Tatus existentes no
morro de Santo Antônio. De acordo com os registros morfométricos das
pegadas podemos distinguir oito indivíduos diferentes de gambás e sete
de tatus.
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Parcela 9. Morro de Santo Antônio. Registro morfométrico da
pegada de gambá.
Didelphis sp |
Este cálculo não é preciso, pois os registros podem apresentar variações
nos parâmetros analisados (CT = comprimento total e LT = largura total
das patas), que podem interferir nas medições e conseqüentemente nos
resultados, tais como profundidade das pegadas, velocidade que o animal
passou pela parcela, umidade e consistência das parcelas.
Em
relação às outras espécies esta quantificação é impossível de ser
realizada devido à baixa frequência de pegadas.
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Myrmecophaga
tridactyla.
Tamanduá bandeira visualizado na borda da mata do Morro de Santo
Antônio. |
A
perda e alteração dos habitats naturais, principalmente aqueles causados
por supressão da vegetação ou a sua descaracterização, são as principais
causas da diminuição ou mesmo extinção da fauna silvestre. Em paisagens
muito fragmentadas, como as observadas na microbacia do Córrego da
Cascata, a perda de espécies ou o declínio das populações locais é
caracterizada pela presença de espécies generalistas em abundância, como
por exemplo, o gambá (Didelphis sp).
Os
principais aspectos e impactos ambientais que afetam a comunidade de
mamíferos da microbacia relacionam-se à expansão urbana do município de
Botucatu e mais especificamente ao desenvolvimento dos bairros do
distrito de Rubião Júnior. O loteamento do bairro Jardim Tropical e a
implantação de condomínios residenciais como o Parque das Cascatas,
Terras Altas e Spazio Verde, fragmentaram muito a área de floresta ao
longo do Córrego da Cascata.
As
queimadas também afetam diretamente a qualidade dos habitats e causam a
mortandade dos mamíferos silvestre. O uso do fogo para limpeza de áreas
verdes é uma prática comum em Botucatu e é utilizada
indiscriminadamente, tanto na área rural, quanto na área urbana do
município. Há alguns anos atrás a mata do Morro de Santo Antônio sofreu
com 3 grandes incêndios florestais. Neste ano, na época da seca,
registramos incêndios florestais nos 4 setores da microbacia.
Além da expansão imobiliária, a Rodovia Domingos Sartori recentemente
duplicada, contribui para distanciar a mata do Morro de Santo Antônio da
mata do Residencial Parque das Cascatas, os maiores fragmentos da
microbacia, constituindo-se em uma barreira física impactante para a
dispersão da fauna. Pelo fato dos fragmentos estudados apresentarem
áreas reduzidas e consequentemente a redução da qualidade do habitat, os
animais frequentemente são forçados a procurar alimento, abrigo e outros
recursos, ora escassos, em outros fragmentos e a Rodovia é causadora de
constantes atropelamentos de animais.
Muitos atropelamentos ao longo da rodovia de espécies tais como tatu,
gambá, tamanduá bandeira, tamanduá mirim, ouriço, furão, entre outros já
foram registrados e serão posteriormente levantados através de uma
pesquisa junto a Centro de Medicina e Pesquisa em Animais Silvestres (CEMPAS).
Caracterização da avifauna
Na
primavera de 2011 a equipe verificou a presença de 14 espécies que ainda
não haviam sido avistadas na Bacia do Córrego da Cascata. Até o presente
momento, em termos qualitativos, (número de espécies registradas), já
constatamos a presença de 119 espécies de aves na microbacia.
A
maior diversidade ainda continua sendo no morro de Santo Antonio, por
ser uma área maior que as outras, com menor influência antrópica e por
ter uma diversidade de flora bastante rica, constituindo assim uma maior
variedade de micro habitats (área descampada, sub bosque, dossel, áreas
de riachos). As outras quatro áreas por serem muito menores e estarem
localizadas próximo dos condomínios residenciais e da rodovia, a
presença humana acaba por interferir muito na diversidade de espécies de
aves.
De
fato, a redução ou fragmentação das reservas florestais tem influência
direta sobre a diversidade da avifauna. Sendo assim, torna se essencial
a realização de levantamentos de aves com o intuito de se avaliar o grau
de degradação, formular estratégias para minimizar esses efeitos
negativos e contribuir para o desenvolvimento sustentável. O estado de
São Paulo é um dos que apresentam uma das menores coberturas vegetais
nativas e ainda intactas e esta fragmentação provoca o desaparecimento
de espécies mais especializadas, reduzindo assim a riqueza da avifauna.
Portanto, através destes levantamentos pode-se identificar a ocorrência
de espécies endêmicas, raras, migratórias, ameaçadas de extinção e/ou
por já apresentarem redução da avifauna original. Por outro lado,
algumas espécies têm sua expansão favorecida pelas atividades
antrópicas, mas é necessário que se mantenham áreas verdes com
capacidade de abrigar espécies um pouco mais exigentes.
Esta influência sobre o levantamento de avifauna pode ser verificado
durante as incursões da equipe nos fragmentos, o registro das
vocalizações torna se muito prejudicada devido ao grande fluxo de
veículos que ocorre entre as 7 horas da manhã e às 18 da tarde.
Neste trimestre das 14 novas espécies, foram registradas 7 espécies
migratórias que já começaram a aparecer na Bacia do Córrego da Cascata,
(Juruviara, Tesourinha, Andorinhão do temporal, Bem te vi rajado,
Andorinha de sobre branco, Maria irré, Peitica), 2 espécies que
normalmente são muito procuradas por caçadores para gaiolas, pois
possuem cantos apreciados por passarinheiros (Trinca ferro, Bico de
veludo) e 1 espécie considerada grande frugívora (Jacupemba) que é um
bio indicador que mostra que a área da mata do morro de Santo Antonio
possui uma grande variedades de espécies frutíferas e 4 espécies que não
apresentam qualquer peculiaridade que nos é conhecida até o presente
momento.
A
equipe selecionou 28 vocalizações das aves e editou para melhorar a
qualidade do som. Porém, a mesma, do ponto de vista da equipe, ainda tem
muito que melhorar, para isso os esforços amostrais vão continuar nos 5
fragmentos e procurar um melhor registro sonoros das espécies.

O crescimento das
populações humanas, associado ao aumento do consumo e à desigualdade
social são as principais causas para o aumento da pressão sobre os
remanescentes de áreas naturais e conseqüentemente resultam em perda
significativa da biodiversidade da fauna local.
A presença de mamíferos é
um bom indicador do impacto antrópico sobre áreas naturais por
pertencerem a um grupo extremamente diversificado, com vários hábitos
alimentares e habitats diferentes e por desempenharem importante papel
em uma série de processos dentro dos ecossistemas florestais. Os grandes
herbívoros e frugívoros são responsáveis pela dispersão de sementes,
enquanto os carnívoros desempenham o papel de manter o equilíbrio
populacional através da predação.
No quarto trimestre de
execução do projeto a equipe obteve os primeiros resultados das
armadilhas fotográficas (Câmara Trap), instaladas em árvores
estrategicamente escolhidas e próximas das parcelas de areia, para o
registro fotográfico dos animais atraídos pelas iscas deixadas
freqüentemente sobre as parcelas de areia.
Foram registradas cinco novas espécies, Artibeus sp morcego
frugívoro, Gracilinanus microtarsus cuíca, Cuniculus paca
paca, Galictis cuja furão e um pequeno mamífero. Ao longo do
projeto, 16 espécies de mamíferos foram registradas e apenas uma não foi
identificada.

Total de mamíferos registrados na Microbacia Hidrográfica do Córrego da
Cascata.
A diversidade de espécies
de mamíferos registrada pela equipe na Bacia do Córrego da Cascata pode
ser considerada bastante significativa principalmente se analisarmos os
três principais fatores que comprometem a diversidade de espécies nos
diferentes fragmentos; a proximidade da cidade, o tamanho da mata e a
influência antrópica.
Todos os fragmentos estão
inseridos no perímetro urbano da cidade e isto acaba por interferir
direta ou indiretamente na qualidade e quantidade de animais presentes
nestes fragmentos. Os depósitos de lixo, visitas constantes de pessoas
no interior da mata, alto fluxo de veículos ao longo da rodovia acabam
por alterar as características naturais do meio.
Em relação ao tamanho da
mata, a presença humana vem promovendo uma diminuição e uma fragmentação
das grandes florestas através da agricultura, pecuária e finalmente os
diversos novos bairros. Estes fatores ao longo dos anos acabam por
diminuir o tamanho das matas e conseqüentemente a diversidade de
espécies ali existentes. Outro fator que contribui para a diminuição do
tamanho das matas bem como a diversidade animal é o fogo que provoca uma
destruição muito grande e de difícil recuperação. Nos últimos anos temos
constatado a presença de grandes focos de incêndio na região de Botucatu
e na bacia do Córrego da Cascata. Este ano registramos um incêndio na
mata do condomínio do Recanto Azul que destruiu parcialmente a mata em
questão. A conseqüência deste incêndio sobre a diversidade animal foi
muito evidente, pois nos levantamentos realizados antes e pós queimada é
visível uma diminuição tanto quantitativa como qualitativa de espécies
de aves e mamíferos. Outro fragmento de mata que também sofreu com as
queimadas foi o morro de Santo Antônio, nos últimos cinco anos duas
ocorrências de queimadas foram registradas neste fragmento, destruindo
quase que totalmente a mata.
A influência humana é
evidente na bacia do Córrego da Cascata, a presença de vários
condomínios tem influência tanto direta como indireta sobre o córrego da
Cascata, a Rodovia Domingos Sartori que liga a cidade de Botucatu a
Rubião Júnior – UNESP com fluxo muito intenso e constante de veículos.
Todos estes fatores juntos
ou isoladamente podem interferir com a diversidade de animais presentes
na bacia do Córrego da Cascata e, isto pode ser verificado pelo grande
número de registro de espécies generalistas, tais como o gambá e o tatu
galinha que freqüentemente são observados nos registros fotográficos e
nas parcelas de areia.
Estes animais acabam por
se adaptar mais facilmente às alterações do meio e se reproduzem
rapidamente atingindo um número expressivo nos registros. Além disso, as
espécies mais especialistas, como os carnívoros que precisam de
fragmentos de mata maiores e não se adaptam tão facilmente com a
influência antrópica, acabam por se deslocarem destes fragmentos mais
antropofisados e a cadeia alimentar acaba se deslocando para as espécies
mais generalistas.
Por outro lado, a bacia do
Córrego da Cascata nos traz grande surpresa e satisfação ao relatarmos a
presença de espécies bastante significativas como, por exemplo, o
tamanduá bandeira, tamanduá mirim e cachorro do mato. Estas espécies
foram registradas por fotos, registros visuais pelos moradores e
parceiros do projeto, armadilhas fotográficas e infelizmente através de
atropelamentos, como o caso do tamanduá mirim e do ouriço que foram
encontrados atropelados nas proximidades do Parque das Cascatas.
Em relação aos
atropelamentos dos animais, a equipe vem trabalhando no intuito de
conseguir dados mais concretos sobre os animais que foram atropelados ao
longo da Rodovia Domingos Sartori e Marechal Rondon e que foram enviados
pela população, bombeiros, guarda municipal para o CEMPAS (Centro de
Medicina e Pesquisa em Animais Silvestres).
De posse destes dados,
poderemos obter resultados mais concretos da interferência que o homem
tem sobre os animais na Bacia do Córrego da Cascata e propor medidas
mitigatórias à empresa Rodovias do Tietê, responsável pela manutenção da
rodovia.
Os resultados obtidos até
o presente momento demonstram que as espécies mais abundantes, são as
generalistas tais como o tatu galinha e o gambá. A baixa freqüência de
outros grupos, sobretudo os grandes carnívoros e herbívoros, pode
indicar que estes animais evitam andar por pequenos fragmentos,
procurando lugares onde não estejam tão visíveis ou ainda que não tenham
sido atraídos pelas iscas colocadas nas armadilhas. Por outro lado, a
ausência destes animais pode indicar que as densidades populacionais
destas espécies sejam realmente baixas e isso pode ser explicado por
várias razões, desde aspectos da história natural das espécies até o
fato da pressão antrópica como a caça sofrida por eles no passado.
Em vários momentos os
locais de amostragem foram mudados a fim de aumentar a freqüência de
ocorrência de animais. Foram instaladas duas parcelas de areia no Parque
das Cascatas e a armadilha fotográfica foi deslocada para um local no
Morro do Santo Antônio onde o caseiro da propriedade relatou a presença
de mamíferos no local. Também houve uma preocupação em diversificar a
utilização de iscas, como carne crua, ovo e frutas para a atração de
outras espécies de carnívoros e onívoros. Estas mudanças surtiram efeito
positivo, pois mais fotos e pegadas dos animais foram registradas, como
o caso do tamanduá bandeira.

Diante da adversidade
muitas aves buscam abrigo, alimentação, locais para nidificação e
poleiro em pequenos fragmentos de mata ou em parques urbanos. Esta
constatação reflete a grande capacidade das aves de se adaptar às
condições desfavoráveis do meio.
Em todas as áreas
estudadas foi possível registrar 131 espécies de aves, distribuídas em
36 famílias.
No 4º trimestre, 12 novas
espécies foram encontradas nos diferentes fragmentos sendo quatro
espécies no Condomínio Terras Altas: quatro no Parque das Cascatas: três
no Morro de Santo Antônio e uma espécie no Condomínio Recanto Azul.
Apenas na Mata do Éden não foi registrada espécie nova neste trimestre e
também foi a que teve a menor diversidade entre os cinco fragmentos, com
17 espécies registradas (tabela 21)
Para a nossa surpresa, a
mata do Recanto Azul está mostrando a sua força em se regenerar, pois
mesmo após ter sido quase que totalmente queimada pelo fogo teve um
número expressivo de espécies registradas neste trimestre. Além disso,
uma nova espécie foi registrada, uma ave bem pequena (figurinha de rabo
castanho, Conirostrum speciosum), que normalmente permanece na copa das
árvores, o que torna difícil a sua visualização.
As outras três áreas,
Terras Altas, Parque das Cascatas e Morro de Santo Antônio tiveram uma
amostragem muito parecida em termos qualitativos. Estes resultados
refletem o grau de preservação das áreas e a menor influência antrópica.
No condomínio Terras Altas
mesmo sendo um loteamento e um dos menores fragmentos, a diversidade de
espécies são bem expressivas e isto pode ser visto pelo fato de ser um
empreendimento novo com poucas casas, a maioria em construção e um amplo
espaço para que as aves tenham lugares para pouso e alimentação.
No Parque das Cascatas, a
quantidade de aves avistadas foi maior entre todos os fragmentos
estudados.
Em termos qualitativos a
mata do Morro de Santo Antônio é a que apresenta maior diversidade de
aves pois possui características peculiares em relação aos outros
fragmentos. Este é a maior área de estudo do projeto, o acesso ao
interior da mata pelas trilhas é mais difícil e o efeito de borda é bem
menor devido à maior distância da área urbana. Estas características do
fragmento permitem o registro de espécies mais especializadas que não
ocorrem nas outras áreas onde o efeito de borda é mais evidente, como
por exemplo, duas espécies que só são encontradas no interior de mata:
soldadinho e trinca ferro.
Os outros fragmentos
localizados dentro de condomínios e mais próximo da Rodovia Domingos
Sartori têm maior interferência sonora o que acaba por comprometer a
diversidade de aves, bem como o registro das vocalizações.
Por outro lado, alguns
estudos mostram que a diversidade de aves, está ligada mais diretamente
à estrutura da floresta do que à quantidade de espécies vegetais
existentes neste ambiente natural.
Isto vai de encontro com
as características encontradas no Morro de Santo Antônio que possui uma
estrutura bastante diversificada, formada por um dossel bastante
fechado, um sub bosque rico em termos de galhos e um extrato inferior
muito denso e com pouca luminosidade, favorecendo a presença de espécies
mais fotossensíveis e específicas de interior de mata.
Em relação às espécies
migratórias que começaram a aparecer na Bacia do Córrego da Cascata no
trimestre passado, início do verão, estas continuam sendo observadas
neste trimestre, tais como: Vireo olivaceus (Juruviáva), Tyrannus savana
(tesourinha), Myiodynastes maculatus (bem ti vi rajado), Chaetura
meridionalis (andorinhão temporal), Stelgidopteryx ruficollis (andorinha
serradora), Empidonomus varius (peitica), Progne chalybea (andorinha
doméstica grande).
O processo de migração é
um fenômeno voluntário e intencional que ocorre periodicamente, com o
objetivo de encontrar alimento e boas condições meteorológicas.
Os fatores fisiológicos
responsáveis por este deslocamento ainda merecem estudos, mas em algumas
aves observa-se o aumento nos níveis hormonais, ganho de peso e
crescimento corpóreo. Essas alterações podem ser induzidas por
modificações externas como variação do número de horas do dia, a
escassez de alimentos ou das modificações climáticas.
Tendo em vista os
resultados obtidos, a quantidade de espécies registradas durante o ano
tem uma representatividade muito importante para a Avifauna do Estado de
São Paulo, pois levantamentos realizados em fragmentos de mata maiores e
mais preservados muitas vezes não têm a mesma diversidade de espécies
encontradas na Bacia do Córrego da Cascata.
Diante disso, ao final
deste projeto, podemos sugerir que o Córrego da Cascata tenha uma
atenção maior por parte dos moradores e principalmente do Poder Público,
e que medidas conservacionistas mais eficientes, tais como fiscalização
mais efetiva contra o fogo e caçadores clandestinos; interrupção de
qualquer atividade de derrubada de vegetação e, finalmente um programa
de recuperação da vegetação com espécies nativas, incluindo a formação
de corredores de vegetação entre os fragmentos sejam realmente
realizadas para preservar este rico ambiente ribeirinho.

A graciosa
e irrequieta Corruíra, Troglodites musculus,
alimenta-se de pequenos frutos, sementes e insetos.
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